terça-feira, 23 de março de 2010

Versos alternados do lago escuro

Já são, as folhas de um caderno sujo
Vestígios de um poema que um dia
Eu fiz nas margens de um lago escuro
Pairando assim em um momento cujo
Sentimento era de melancolia
Pela busca de um amor que nem procuro

Luiza Amália

terça-feira, 16 de março de 2010

Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio


Tradução de Castro Alves

Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie e terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora e;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as fontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia.

LORD BYRON (1788 - 1824)